No dia da consciência negra, o CRF/AL conta a história da farmacêutica negra Ihasmyn Melo

20 de novembro de 2023

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Uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas mostrou uma expansão de 24,5% de mulheres negras no mercado de trabalho entre o primeiro trimestre de 2012 e 2023. A pesquisa identificou que as mulheres ampliaram sua escolaridade, mas ainda não o suficiente para alcançar a igualdade racial.

De acordo com a pesquisa as mulheres negras empregadas estão em sua maioria em funções que apresentam remunerações mais baixas, mais de 55% delas são trabalhadoras dos serviços/vendedoras ou trabalhadoras de ocupações elementares. No Dia da Consciência Negra, o Conselho Regional de Farmácia conversou com a farmacêutica negra Ihasmyn Melo que trabalha na Pharmapele, farmácia de manipulação.

Ela revela que o modelo estrutural da sociedade atual é responsável pela ausência da presença negra no mercado farmacêutico e isso é um reflexo da falta de oportunidade. “No mercado farmacêutico não temos essa maioria representada, talvez devido às condições de acesso limitantes aos estudos de nível superior que o povo negro enfrenta. É injusto falar que as oportunidades são iguais para todos quando não se vem de um berço estruturalmente menos favorecido”.

Ihasmyn conta que o esforço negro é infinitamente maior e que ela já foi em entrevistas de emprego onde a qualificação dela era maior que as dos concorrentes, contudo, não conseguiu a vaga porque não tinha o padrão estético que a empresa gostaria. “Já tive clientes que foram confirmar com o balconista branco a orientação que foi dada por mim, e eu estava de jaleco, com o nome farmacêutica estampado, mas ainda assim, ele preferiu ouvir o balconista branco”.

Ela que há quatro se formou farmacêutica e passou a atuar na manipulação enfrenta até hoje olhares frustrados quando se apresenta como farmacêutica. “Só quem passou por discriminação sabe exatamente como são estes olhares. Então, a data de hoje nos convida a refletir sobre a contribuição do povo negro na construção da sociedade e o combate ao racismo. Por isso que falamos muito sobre ser resistência. Pela capacidade de enfrentar, perseverar e lutar por nossos direitos e valores, sorrindo e cuidando de todos, sem diferença.

Fonte: Ascom CRF/AL