Com uma realidade de crianças acometidas de doenças e da proliferação delas, a professora Ednalva Pinheiro- coordenadora do projeto- implantou o programa Farmácia Viva na comunidade Gruta D’Água no município de Arapiraca. Com o objetivo prevenir que doenças corriqueiras se tornem um problema para aquela população, a escola criou um horto com plantas medicinais onde são produzidos os medicamentos fitoterápicos. “Não foi apenas a plantação de mudas, nós contextualizamos com o currículo escolar e hoje nossas crianças aprendem todas as disciplinas através da farmácia viva e da horta escolar”, pontuou a coordenadora.
O projeto deu tão certo que já foi premiado 14 vezes a nível nacional e também foi reconhecido pela Unicef ( Fundos das Nações Unidas para a Infância). De acordo com a coordenadora somente no ano de 2011 foram preparados mais de 100 litros de xarope para as crianças, foram feitas pomadas, tinturas e até balas. “É muito comum nas escolas ter os piolhos e nós tratamos nossas crianças com os fitoterápicos. Começamos aplicando as mudas na cabeça delas, fizemos os sabonetes e agora já temos os shampoos”, comemorou.
Em funcionamento desde 2006, a coordenadora explicou que em virtude desse crescimento sentiu-se a necessidade de se ter um novo projeto de assistência farmacêutica de plantas medicinais e fitoterápicos. “Percebemos que era importante sair um pouco mais do popular e criar um projeto mais científico. Esse é um trabalho que precisa ser expandido para outras comunidades porque os fitoterápicos ajudam bastante já que trabalhamos com as comunidades carentes”, revelou.
Neste sentido, o projeto hoje conta com o apoio do Conselho Regional de Farmácia de Alagoas (CRF/AL), que segundo ela, é muito importante para a assistência farmacêutica já que se trabalha hoje com a manipulação, capacitação e dispensação de medicamentos. “A nossa meta é efetivar o cultivo de muda das espécies selecionadas para produção, estudo e manipulação. Estamos recebendo três mil mudas e vamos trabalhar primeiramente com seis espécies: aroeira, babosa, espinheira santa, guaco, hortelã e a unha de gato”, comentou.
Ela faz questão de ressaltar que os moradores daquela comunidade tem todo conhecimento dessa medicação, isso porque o trabalho não é apenas da criação desses medicamentos, mas, sobretudo voltado para a educação e orientação. “Por meio da educação nós podemos transformar o nosso cotidiano”, pontuou.
Cristiane Barros, farmacêutica responsável pelo projeto, acompanha todo o processo desde a aquisição das mudas, da plantação no horto, do armazenamento, da prescrição farmacêutica, da dispensação das preparações até o transporte. Hoje, os produtos devem seguir para os postos de saúde e sendo assim, ela garantiu que vai acompanhar o trabalho os responsáveis pelas farmácias vivas. “O objetivo do farmacêutico é expandir o uso racional desses medicamentos nos postos de saúde e para isso será feito cursos de capacitação para toda equipe multidisciplinar, médicos, enfermeiros, que trabalham naquela unidade de saúde”, assegurou.
O vice-presidente do CRF/AL, Robert Nicácio, destacou que o conselho sente-se orgulhoso em apoiar essa iniciativa da comunidade que tem apresentado resultados positivos e salvado vidas. “Nosso intuito é que a fitoterapia seja feita de forma profissionalizada e jamais poderíamos nos distanciar desse tratamento que é tão benéfico à população. Nós temos um profissional capacitado que vai auxiliar todas as pessoas envolvidas nesta iniciativa”, pontuou.
Em visita ao projeto, o vice-presidente reconheceu o sucesso e disse que juntamente com outros profissionais farmacêuticos tentarão levar o projeto para dentro das unidades de saúde. Participaram da visita: Saulo Sales, farmacêutico da Vigilância Sanitária, Samuel Luz, farmacêutico Nasf (Núcleo de apoio à saúde da Família) e Fernando Minervo, farmacêutico da Secretaria Municipal de Saúde de Arapiraca.
Luciana Martins-Ascom/CRF-AL