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IBGE: 11 milhões usam remédios para dormir

4 de julho de 2016
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Mais de 11 milhões de brasileiros — o equivalente a 7,6% da população — usam medicamentos para dormir. O índice é um dos destaques do último volume da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), divulgado ontem pelo IBGE, e revela o mesmo percentual de pessoas em depressão. Especialistas entrevistados pelo GLOBO acreditam que existe uma relação entre estes dados.
 
Diretora da Associação Brasileira de Sono, Andrea Bacelar ressalta que o brasileiro dorme cada vez menos. Um adulto deveria repousar por até oito horas, segundo ela, mas descansa menos de seis. — A privação de sono gera cansaço, compromete a produtividade, aumenta a chance de acidentes e a irritabilidade — enumera. — A longo prazo, torna os indivíduos mais sujeitos a doenças como depressão, hipertensão, diabetes e obesidade.
 
O levantamento, realizado entre pessoas com 18 anos ou mais, separou os entrevistados em três categorias: ocupados, desocupados e fora da força de trabalho, grupo formado majoritariamente por idosos, mas também por estudantes e pessoas que não estão procurando emprego.
 
Uma em cada dez pessoas fora da força de trabalho tem diagnóstico de depressão. O mesmo registro foi realizado em 7,5% das desocupadas e em 6,2% das ocupadas. Já os medicamentos para dormir são consumidos por 12,6% dos indivíduos que não procuram emprego, 5% dos empregados e 4,3% dos desempregados. 
 
VULNERABILIDADE A OUTRAS DOENÇAS 
 
Os dados sobre depressão foram coletados a pedido do Ministério da Saúde. Fátima Marinho, diretora do Departamento de Doenças e Agravos Não-Transmissíveis da pasta, sublinha os efeitos do transtorno mental sobre outras enfermidades:
 
— A depressão é uma das maiores motivadoras da perda de saúde, seu efeito sobre o sistema imunológico nos deixa vulneráveis a outras doenças — explica. — Nos últimos anos, tornou-se a principal causa de aposentadoria no Brasil, as pessoas estão deixando o mercado ainda em idade produtiva, e suas consequências também atingem o sono: os deprimidos dormem mais rápido, mas acordam no meio da noite.
 
Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antônio Geraldo da Silva destaca que 10,1% das mulheres entrevistadas revelaram ter depressão — o contingente é ainda maior a partir da meia idade —, enquanto apenas 3% dos homens admitiram ter a doença.
 
— A mulher, por questões hormonais, tem maior vulnerabilidade à depressão, e também costuma procurar tratamento. O homem tem preconceito — compara. — Ainda assim, a subnotificação é expressiva em ambos os gêneros, porque as pessoas acreditam que combatem seus problemas tomando medicamento para sintomas como insônia e ansiedade.
 
O IBGE também contabilizou a ocorrência de outras doenças. De acordo com a pesquisa, 15,7% das pessoas com emprego têm hipertensão arterial, quase o dobro do número registrado entre os desempregados (8,2%). E um em cada dez ocupados afirmaram ter taxa alta de colesterol, mesmo problema declarado por 7,1% dos indivíduos desocupados. Já as dores crônicas nas costas, uma das principais causas para ausências no trabalho, afligem 16,3% dos brasileiros ocupados e 12,2% dos desocupados, segundo a pesquisa.
 
Diretor científico da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor, Paulo Renato Fonseca diz que os problemas lombares têm relação com vários males. — Existe relação com sedentarismo, obesidade, trabalhos que exigem a força bruta por mais de dois terços do tempo — conta. — Entre os idosos, está vinculada à artrose e à perda da massa muscular.
 
Segundo Fátima Marinho, a maior incidência de enfermidades em indivíduos ocupados, comparada à vista em desocupados, é fruto do acesso facilitado das pessoas inseridas no mercado de trabalho a exames médicos: — Nossa meta não deve ser apenas que a população viva mais. A longevidade deve ser acompanhada de qualidade de vida.
 
Fonte: O Globo
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