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Uso de remédio que previne HIV ganha adeptos no Brasil e pode chegar ao SUS

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Uso de remédio que previne HIV ganha adeptos no Brasil e pode chegar ao SUS

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Uso de remédio que previne HIV ganha adeptos no Brasil e pode chegar ao SUS

20 de maio de 2015
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Há seis meses o bancário Roberto*, 22, toma um comprimido do medicamento Truvada todos os dias para evitar se contaminar com o HIV. Ele mora na capital paulista com o seu namorado, o designer Cláudio*, 32, portador do vírus.
 
“Eu vi que era uma maneira de a gente se proteger mais porque não gostamos de usar camisinha, já que a carga viral dele é indetectável. Pesquisei sobre o assunto e vi que na Europa já tinha muita gente que tomava”, diz Roberto.
 
A precaução tem base científica. Segundo os estudos mais recentes, o medicamento que combina dois antirretrovirais (tenofovir e emtricitabina), conhecido como PrEP (profilaxia pré-exposição), protege em quase 100% contra o vírus, se tomado diariamente.
 
O Truvada ainda não está disponível no Brasil, mas o Ministério da Saúde estuda a possibilidade de incluir a sua distribuição no SUS (Sistema Único de Saúde) para pessoas que apresentam riscos elevados de infecção.
 
Para isso, o governo financia desde o ano passado dois estudos que tem como objetivo verificar a viabilidade e a melhor forma de oferecer o remédio na rede pública. Um deles é coordenado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), no Rio de Janeiro, e o outro pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, na capital paulista.
 
Juntos eles formam o projeto “PrEP Brasil”, que acompanhará, por um ano, 500 homens que fazem sexo com parceiros sem camisinha, em um comportamento de risco de exposição ao vírus. Os voluntários recebem medicamentos, fazem exames clínicos e se consultam com psicólogos. Os primeiros resultados devem ser apresentados em 2016.
 
Remédio traz segurança no sexo
 
Roberto é voluntário do projeto e começou a tomar o Truvada em novembro de 2014. Para não se esquecer de tomar o comprimido, ele usa um despertador e carrega sempre algumas unidades na mochila.
 
“Passei a me sentir bem mais seguro quando comecei a tomar e fiquei sem peso na consciência. Se eu me contaminasse, seria muito ruim para mim, assim como seria para ele, porque eu poderia contaminá-lo de novo”, diz.
 
Segundo a infectologista Beatriz Grinsztejn, que coordena o projeto no Rio de Janeiro, o Truvada tem tido alta adesão entre os voluntários. No entanto, a chefe do laboratório de pesquisa clínica em DST/Aids do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas afirma que o medicamento não deve ser considerado um substituto da camisinha. “O uso do Truvada é uma estratégia de prevenção adicional contra o HIV, mas não deve substituir o preservativo”, afirma a médica.
 
A Organização Mundial da Saúde (OMS), o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, e a Associação Britânica de Saúde Sexual e HIV publicaram orientações sugerindo que a PrEP pode ser considerada como uma das várias opções de prevenção para aquisição do HIV entre as populações de alto risco, recomendando seu uso como parte de um programa abrangente de prevenção ao HIV, como uso da camisinha, a circuncisão e não amamentação pelas mulheres soropositivas, entre outras formas.
 
SP tem lista de espera
 
O uso de um medicamento para quem não está doente ainda é considerado controverso pela possibilidade de ter efeitos colaterais. Mas, segundo a infectologista, uma das vantagens do Truvada é que seus efeitos colaterais só permanecem nas primeiras semanas.
 
“Os efeitos colaterais são muito leves e são caracterizados por náuseas, dores de cabeça e diarreias. Eles tendem a desaparecer em até três semanas”, afirma.
 
A ausência de fortes efeitos colaterais e o aumento das evidências positivas sobre o Truvada têm aumentado o interesse de pessoas pela droga. Em São Paulo, há uma lista de espera com 200 nomes de pessoas que querem participar do projeto, de acordo com o infectologista Ricardo Vasconcelos, coordenador médico do projeto “PrEP Brasil” em São Paulo.
 
“O que eu sinto ao conversar com os pacientes é que eles se sentem seguros com o Truvada. Há uma demanda reprimida pelo medicamento porque quem quiser fora do programa tem que importar. Uma caixa com 30 comprimidos pode custar R$ 2.000”, diz.
 
Entretanto o infectologista adverte sobre o uso recreativo do medicamento.
 
“Um grande medo que existe em relação à PrEP é o seu uso irregular. Se a pessoa não tomar direito, pode causar a falsa impressão de estar protegido e começar a transar sem camisinha. As pessoas têm que ter consciência que tem que tomar direito, senão o risco aumenta”, afirma.
 
Casal sorodiscordante prefere camisinha
 
Casados há um ano, o analista técnico João Geraldo Netto, 32, é portador do HIV, mas André Moreira, 31, não tem o vírus. Apesar disso eles não cogitam usar o Truvada para evitarem uma possível transmissão.
 
“Sempre ouvi falar dos avanços do Truvada, porém eu não gostaria de colocar isso na nossa vida porque o André é muito sensível a medicamentos e eu tenho medo que ele traga efeitos colaterais de longo prazo. Eu prefiro manter meu tratamento e adotar outros métodos como a camisinha”, afirma Netto.
 
Para evitar contaminar o marido, Netto toma o coquetel antirretroviral diariamente e usa camisinha em todas as relações sexuais. 
 
“O que mais aflige o soropositivo é infectar alguém, principalmente um companheiro de vida. Mas, se a gente se trata, já é meio caminho andado, porque diminui em mais de 90% a chance de isso acontecer”, diz. 
 
* Os nomes são fictícios.
 
Fonte: Uol Saúde
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