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Corrida contra a zika

16 de maio de 2016
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O surto de casos de microcefalia associados com o vírus da zika, no Brasil e noutros países, impulsionou um vagalhão de publicações científicas. A associação é nova e extraordinária, e a emergência por ela criada também imprime feições extraordinárias à onda de pesquisas sobre o assunto.
 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a microcefalia como emergência internacional em 1º de fevereiro. Em seu plano de ação, propôs acelerar a publicação de estudos e o desenvolvimento de vacinas, diagnósticos e terapias. Desde então, já editou 15 artigos em seu boletim especial, “Open Zika”.
 
A celeridade se justifica pelo imperativo de fazer circular mais rapidamente informações que possam ser úteis a outros pesquisadores e a profissionais de saúde no front de tratamento dos afetados.
 
Para tanto, abre-se mão, temporariamente, da principal salvaguarda da qualidade científica, a revisão por pares (“peer review”).
 
Em situação normal, o que decerto não se aplica à zika, pesquisas podem demorar vários meses para sair em periódicos. Isso em geral só ocorre depois de respondidas todas as questões suscitadas por revisores especializados.
 
O vírus zika, embora isolado há sete décadas, é um grande desconhecido. Toda revelação sobre seu modo de atuação no organismo, com consequências tão devastadoras sobre o sistema nervoso humano, torna-se potencialmente valiosa e não pode dormir nas gavetas.
 
Pesquisadores do mundo todo, e notadamente no Brasil, atenderam ao chamado da OMS e vêm publicando seus artigos de modo imediato, sem esperar pela chancela dos pares. Utilizam para isso repositórios eletrônicos de estudos preliminares, não auditados, como “bioRxiv” e “PeerJ Preprints”.
 
Assim procedem, entre outros os grupos de Paolo Zanotto, da USP, e de Stevens Rehen, da UFRJ. Eles têm veiculado por esse atalho estudos de grande repercussão, dos efeitos do vírus zika em minicérebros cultivados em laboratório à presença do vírus em saguis e macacos-prego do Ceará.
 
A pressa, no entanto, não torna obsoleto o controle de qualidade, ainda que a posteriori. A zika engendrou uma situação excepcional, impondo a agilidade na divulgação de resultados. Leigos e especialistas, contudo, não podem perder de vista seu caráter preliminar e a necessidade de tomá-los pelo valor de face apenas depois de submetidos ao teste do tempo.
 
Fonte: Folha de S.Paulo
 
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