3 de setembro de 2020

Empresa cofundada por farmacêutico cria respirador mais em conta

Investir em inovações tecnológicas para melhorar a vida das pessoas. Este é o principal objetivo da startup presidida pelo farmacêutico Ricardo Ferreira Nantes, cofundador da empresa responsável por criar uma versão mais econômica de um respirador pulmonar transitório que pode ajudar a salvar pacientes com covid-19 que estão em estado grave.

O Equipamento de Suporte Respiratório Emergencial e Transitório é uma das tecnologias alternativas desenvolvidas pela empresa. Mas o farmacêutico começou a empreender na área da saúde desde pequeno. Ele conta que, com menos de dez anos, aprendeu a fazer garrafada com caroço de abacate e já fazia sucesso onde morava. “Eu via meu avô passando aquilo na perna e perguntava o que ele estava fazendo. Ele dizia que era muito bom para passar a dor e que se aquela mistura fosse vendida em farmácias daria muito dinheiro. A gente tinha um pé de abacate em casa e conhecia muitos idosos. Com a ajuda de um tio, comecei a vender aquilo para eles. Ao mesmo tempo em que eu ajudava, ganhava meu dinheirinho”, lembra.

O anseio por ideias no sentido de melhorar a saúde, levou Ricardo Nantes a procurar o jovem cientista Luiz Fernando da Silva Borges, depois de ler uma matéria sobre uma de suas invenções, quando tinha apenas 17 anos, de um braço robótico que correspondia a micro sinais dos músculos. Os dois, por coincidência, moravam no mesmo estado, Mato Grosso do Sul, e iniciaram uma parceria. “O projeto do braço robótico não avançou, por conta de algumas burocracias. Então, a gente resolveu desenvolver uma máquina que pudesse fazer o falso paciente em coma se comunicar”. E, com apenas 20 anos, Luiz Fernando criou um computador capaz de ler as mentes dos pacientes.

A ideia da interface “cérebro-máquina” foi muito divulgada pela mídia nacional e já passou pela aprovação da Comissão de Ética e Pesquisa. Porém, com a chegada do coronavírus, as pesquisas tiveram que ser suspensas. Foi aí que a equipe empregou toda a energia para desenvolver o respirador automatizado, que está entrando na fase final do processo de homologação junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “A gente já tem a autorização da Anvisa para fabricar correlatos. Agora, estão sendo feitos os testes em laboratório para pedir a anuência desse material, que vem em um momento propício para ajudar as pessoas com covid-19 no País”.

O gestor diz que, apesar de repentina, a demanda para desenvolver o respirador automatizado foi atendida rapidamente: o produto foi construído em menos de cinco meses. “Nós conseguimos isso graças a equipe, formada por profissionais capacitados e interessados. Eu tenho experiência no que se refere à Anvisa porque já fui fiscal sanitário, lá atrás da minha carreira, faz 15, 20 anos. Então, muita coisa eu aprendi por lá. O Luiz é um grande cientista, premiado mundialmente, até nome de um asteroide recebeu. À equipe somamos Andressa Mauro, que já foi empreendedora, também na área de saúde, e abrimos o negócio, com o intuito de desenvolver tecnologias para salvar vidas”. Posteriormente, entraram na sociedade um médico anestesiologista e um investidor de São Paulo. “Consideramos a experiência de todos para a construção da empresa: gestão, pessoas capacitadas que pudessem fazer os projetos e a necessidade de salvar um número maior de vidas” completa Nantes.

O respirador deve ser disponibilizado aos hospitais ainda no mês de setembro e poderá ser usado de forma transitória, em toda unidade em que estiver faltando o respirador convencional. O equipamento é basicamente um robô que faz a automatização do de um outro dispositivo que ajuda na respiração dos pacientes. “Ele consegue calcular o volume de ar que será liberado para o paciente, inclusive no modo controlado e no modo assistido”, explica.

O empreendedor, que também já foi Conselheiro Federal de Farmácia pelo estado do Mato Grosso do Sul, destaca que, na área de negócios, toda empresa deve existir para resolver um problema, para resolver um desafio, seja lá o que for. “Quando a gente olha para o segmento da saúde, especificamente, vê que ele tem muito a caminhar, tem muita coisa a se resolver e a melhorar”. Ricardo espera que, após a produção do respirador, o projeto da máquina que proporciona a comunicação de pacientes em falso coma seja retomado. Além disso, ele adianta que a equipe já começou a rabiscar um terceiro grande projeto, que pode gerar uma revolução no tempo de análise de diagnóstico.

Fonte: Comunicação do CFF

3 de setembro de 2020

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