26 de agosto de 2020

Farmacêutico participa de pesquisa sobre interação química interna dos anfíbios

Uma rã de apenas três centímetros surpreendeu estudiosos no Brasil e do mundo, após a mais nova descoberta sobre a espécie perereca pontilhada ou Boana Punctata. Descobriu-se que o anfíbio fluorescente também é capaz produzir um complexo azul para se tornar verde e se camuflar na natureza. O farmacêutico e integrante do Departamento de Ciências Biomoleculares da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da USP, Norberto Peporine Lopes, participou da pesquisa, foi publicada em julho deste ano na revista PNAS, da Sociedade Americana de Ciências, e explica a importância dessa descoberta.

Segundo ele, para criar uma função biológica a Boana Punctata aproveita um metabólico tóxico. “Os anfíbios estudados conseguem armazenar uma grande quantidade de uma substância tóxica chamada biliverdina. Só que ao invés dela simplesmente ser descartada, ela interage com uma proteína, que foi chamada de Serpina, e forma um complexo que reflete uma cor azul no anfíbio”, afirma. Essa transformação é uma tática de proteção para esquivar dos possíveis predadores durante o dia. Entretanto, não é tão eficaz durante a noite, pois é o período que as rãs são mais ativas.

“Descobrimos que a noite a rã é fluorescente. Ou seja, através de um composto na própria pele, ela é capaz de absorver a pouca luminosidade disponível e devolver luz no ambiente, o que gera um tom verde meio amarelado brilhante. Assim como o processo da camuflagem, a rã também acaba refletindo uma luz verde, mas é outro componente químico com outra finalidade”, esclarece Norberto.

A atração química e a vocalização do macho são a maneira mais habitual de reprodução entre esses respectivos anfíbios. A fluorescência proporciona a fêmea enxergar a uma determinada distância onde está o macho através do seu canto, desta forma a reprodução ocorre com mais facilidade. “É um sistema evolutivo maravilhoso. Esta perereca consegue fazer uso de processos bioquímicos e biofísicos supercomplexos em diferentes aspectos de sua biologia e isso garante que ela seja mais eficiente para se reproduzir a noite e mais eficiente para não ser predada durante o dia”, conclui o farmacêutico, acrescentando que o estudo contou com a colaboração de distintas áreas como biologia evolutiva, bioquímica, farmácia com biofísicos da Argentina, Brasil, Equador e Estados Unidos.    

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Fonte: Comunicação do CFF com informações do G1

26 de agosto de 2020

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