7 de outubro de 2013

Jornalista emplaca estudo falso em publicações de acesso aberto

Artigo publicado na ‘Science’ denuncia falta de rigor de revistas.

157 veículos caíram em 'pegadinha' e aceitaram reproduzir texto com erros.

 

O repórter americano John Bohannon fez uma “pegadinha” para mostrar a falta de seriedade de muitas publicações científicas que funcionam sob o modelo de acesso livre. Essas revistas, em vez de cobrar assinatura do leitor, cobram dos cientistas que querem ver sua pesquisa publicada.

Bohannon conta, em reportagem publicada pela “Science”, que passou dez meses enviando diversas versões de um estudo que atribui propriedades anticâncer a um líquen, usando um nome falso de pesquisador, que seria de uma instituição de pesquisa inexistente. O texto, segundo o jornalista, tinha falhas que qualquer revisor com conhecimento de química maior do que o de um aluno de ensino médio, e capacidade para entender um gráfico básico, deveria ser capaz de notar.

Bohannon afirma que mandou 304 versões da falsa pesquisa e 157 publicações, algumas de grandes editoras do ramo, aceitaram publicá-la. Publicações científicas em geral fazem uma avaliação de cada estudo que recebem e deveriam, em tese, garantir a qualidade e relevância do conteúdo que divulgam.

No entanto, Bohannon mostrou que mais de metade dos veículos para os quais escreveu não notaram os erros crassos que incluiu no estudo. Com o auxílio de biólogos moleculares de Harvard ele ainda se deu o trabalho de tornar o texto mais “chato”, para que não pudesse levantar a suspeita de que em meio aos dados gritantemente falhos pudesse haver alguma descoberta muito inusitada. Para piorar ainda mais o estudo, Bohannon o traduziu do inglês para o francês e novamente para o inglês usando um tradutor automático.

Na reportagem publicada pela “Science”, ele denuncia editoras obscuras que criam revistas com nomes que se confudem com publicações prestigiadas, e muitas vezes não estão sediadas no lugar sugerido pelo título, como a Europa ou os EUA. Um terço das publicações para as quais o repórter mandou a “isca” está na Índia e, de fato, 64 publicações baseadas no país aceitaram publicá-la.

Fonte: G1 Saúde

 

7 de outubro de 2013

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