16 de agosto de 2013

Estudo encontra origens comuns a diferentes tipos de câncer

Pesquisa britânica identificou 21 mutações genéticas que podem explicar o surgimento dos principais tipos de tumores

O câncer é uma doença causada por mutações no DNA das células de uma determinada parte do corpo. Pouco se sabe, no entanto, sobre as mutações específicas de cada tipo de tumor, ou mesmo quais são os fatores que levam a essas alterações no DNA. Isso significa que a medicina ainda sabe muito pouco sobre o câncer – apenas alguns tipos chegam a ser completamente conhecidos.

Sabe-se, por exemplo, que os componentes químicos presentes no cigarro podem causar mutações genéticas nas células do pulmão e, assim, desencadear um câncer. Ou mesmo que os raios ultravioletas provocam alterações no DNA das células da pele capazes de causar o câncer de pele. Porém, os fatores que impulsionam as mutações relacionadas aos demais tipos de tumores continuam desconhecidas.

Jogada de mestre ­— Um novo e importante estudo publicado nesta quarta-feira na revistaNature fornece pistas importantes sobre a origem dos trinta tipos mais comuns de câncer. Segundo a pesquisa, existem 21 tipos de mutações no DNA capazes de desencadear a doença e explicar a origem de praticamente todos os tipos de câncer. O trabalho foi coordenado pelo Instituto Wellcome Trust Sanger, na Grã-Bretanha, e contou com a colaboração de especialistas de centros de pesquisa de todo o mundo.

Nesse estudo, os pesquisadores conseguiram explicar a causa de dez dessas mutações: entre elas, idade avançada, exposição a raios ultravioletas, cigarro e uso de uma droga chamada temozolomida. Como o estudo avaliou todos os tipos de câncer de maneira geral, acredita-se que, no futuro, em estudos específicos, todas essas mutações genéticas sejam associadas a suas respectivas causas.

Em outras palavras, isso quer dizer que os dados levantados pela pesquisa podem tornar possível que o DNA de um paciente com qualquer tipo de câncer revele qual foi a origem da doença. Com isso, os médicos poderão descobrir mecanismos de prevenir todas as formas da doença e de encontrar os melhores tratamentos para cada paciente a partir do seu material genético.

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Análise — A pesquisa avaliou o genoma de 7.042 pessoas que sofriam algum câncer e que, juntas, apresentavam quase 5 milhões de mutações genéticas. Descobriu-se que essas 5 milhões de mutações no DNA dos milhares de pacientes se enquadram em apenas um dos 21 grupos de padrões de alterações.

Esses padrões foram estabelecidos de acordo com a forma como a mutação ocorreu nas células dos pacientes — ou seja, de que forma e em que intensidade os nucleotídeos que compõem o DNA são trocados. “As mutações que levam ao câncer não são aleatórias, elas seguem padrões que parecem estar relacionados às causas das próprias mutações. O envelhecimento, por exemplo, causa uma mutação genética que é diferente da observada no câncer de um paciente fumante e jovem”, disse, em entrevista ao site de VEJA, Victor Piana Andrade, patologista do Departamento de Anatomia Patológica do Hospital A. C. Camargo.

Os pesquisadores descobriram que há no mínimo dois e no máximo seis padrões de mutação genética relacionados a cada tipo de câncer. Por exemplo, apenas duas alterações genéticas são capazes de desencadear o câncer de ovário — o que não significa que toda mulher com a doença tenha, necessariamente, as duas mutações. São elas a alteração classificada como 1B, que é provocada pelo envelhecimento, e a classificada como 3, que diz respeito à mutação no gene BRCA 1 ou 2. Essa mutação, a mesma encontrada no DNA da atriz Angelina Jolie, também foi identificada em pacientes com câncer de pâncreas e de mama, confirmando biologicamente que essa alteração aumenta o risco desses três tipos de tumores. Os cânceres de estômago e de fígado, por outro lado, são exemplos de tumores que podem ser causados por seis diferentes tipos de mutação genética.

Avanço — A pesquisa também observou que apenas cinco dos trinta tipos de câncer analisados não estão relacionados com mutações genéticas provocadas por processos envolvidos no envelhecimento. Entre eles estão o câncer de tireoide e o melanoma.

“Por meio de uma análise detalhada, podemos começar a usar uma imensa quantidade de informações no DNA do câncer em nosso benefício em termos de compreender como e por qual motivo os tumores aparecem”, diz Serena Nik-Zainal, cientista do Instituto Wellcome Trust Sanger, da Grã-Bretanha, e uma das autoras do estudo. “Nosso mapa de eventos que causam a maioria dos cânceres em humanos é um importante passo para descobrir os processos que levam à formação desses tumores.”

Fonte: Veja Saúde

16 de agosto de 2013

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